Uma sociedade cada vez mais individualizada e indiferente

Morador de rua deitado enquanto pessoas ao lado nem mesmo o observam: Nas grandes e médias cidades, ainda mais com o avanço da pobreza, cenas como essas foram normalizadas. Autor: Desconhecido

Por Luis Cesar Pereira

“Não existe liberdade individual sem responsabilidade coletiva” Lembro de ter visto essa frase num cartaz fixado no antigo colégio em que trabalhei até o ano passado. Vale à reflexão do quanto estamos negligenciando nossa responsabilidade coletiva em nome de um individualismo cada vez mais gritante.

Rotinas individuais, hábitos e vidas cada vez mais individuais. Quer se alimentar? Pra quê sair e socializar? Pede via delivery. Quer comprar algo? Pra quê ir a uma loja física mesmo que seja uma bem próxima da sua casa? Peça pela Shoppe, Shein, Mercado Livre e por tantas outras. Quer encontros rápidos, ou nem isso, um prazer pra momentos solitários? Existe os diversos apps de relacionamento e a pornografia, a 2 toques do seu smartphone. Não precisa conversar ou conquistar mais ninguém.

Muitos saúdam a tecnologia como uma maneira de simplificar a vida e nos fazer poupar tempo. Estamos sempre tão atarefados, atrasados e “no corre” frenético, não é mesmo? Tempo é precioso. Ruas? Pra muitos, só o caminho casa-trabalho-academia. Ou nem isso. Já que o Homeoffice veio pra ficar(Pra quem pode se dar a esse luxo) e é muito custoso(Para os mais desleixados) cuidar da aparência física. “Não tenho tempo. Ando muito cansada. Fds é so cama e maratona de séries e filmes.”

Mas e caso você precise se consultar, estudar, conhecer o Mundo. Pra quê se dar ao trabalho? Psicóloga? Tem sessão online. Estudar? O formato homeschooling ganha mais e mais entusiastas. Viajar? Vejo storys e posts no Instagram e tá ótimo. Detalhes arquitetônicos de prédios ao redor,museus? Nem reparo. Estou com meus fones, mal escuto e vejo o que se passa ao meu redor.

Cartaz em protesto desconhecido no Brasil

Redor esse com praças, parques, sarjetas, ocupadas cada vez mais por nossos irmãos(Assim o diz a Igreja Católica, por exemplo. Os semelhantes são nossos irmãos). Corpos largados que nem mesmo puderam vender sua força de trabalho pra sobreviver no Neoliberalismo frenético que nos foi imposto goela abaixo. Um País indiferente. Da violência contra Jornalistas ao estupro de mulheres que recém deram à luz. Passando pelo homem morto na caçamba/câmara de gás improvisada a dupla de Jornalista e Indigenista morto numa terra sem a presença do estado.

Sim, esses acontecimentos citados são made in Brazil, mas toda a atsmofera de Indiferença, de normalização da barbárie e menosprezo se instaura a partir de quem solenemente sabe e prefere ignorar. E isso é do feitio da maioria das comunidades globalizadas. Se fechando no seu individualismo. Da comida ao prazer sexual, do trabalho uberizado ao “Não se esforçou suficiente” Perdemos as referências, a capacidade de empatia. Perdemos direitos.

Semiocapitalismo, crise climática galopante, subjetividade da máquina, desprezo ao corpóreo… Estamos num caminho sem volta ou será que ao tocar o fundo do fundo do poço, perceberemos que vamos se afogar e tentar fazer algo?

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